IGREJA PRESBITERIANA FILADÉLFIA

IGREJA PRESBITERIANA FILADÉLFIA

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

“Não mandem coroas de flores, doem dinheiro a missões”, pede esposa de Russell Shedd

Os familiares do pastor Russell Shedd, falecido na madrugada do dia 26 de novembro, teriam pedido para que as pessoas não enviassem coroas de flores ao enterro, mas que ao invés disso, doassem dinheiro à missões.
O pedido que teria partido da viúva do pastor Shedd se espalhou rapidamente pelo whatsapp, levando muitas igrejas a realizarem campanhas de mobilização e arrecadação missionária.
Filho de missionários americanos, Russell Shedd nasceu na Bolívia, formou-se nos Estados Unidos, viveu em Portugal, mas foi no Brasil que fixou residência e desenvolveu a maior parte do seu ministério. Considerado por muitos o teólogo mais importante do Brasil e uma das mentes mais privilegiadas da teologia mundial, dr Shedd foi sempre um exemplo de piedade e simplicidade.
Dias antes de sua morte, o pastor falou sobre o sofrimento do câncer contra o qual lutava. O vídeo viralizou rapidamente, e foi utilizado por Deus para renovar a fé de milhares de pessoas em todo país.
VELÓRIO E CULTO FÚNEBRE
O velório será nos dias 27, 28, e 29 na Igreja Bíblica Evangélica da Comunhão, Rua Tito 240, Vila Romana – São Paulo. O enterro será na próxima quarta-feira (30/11) no Cemitério da Paz, Rua Doutor Luiz Migliano, 644 – São Paulo. Os horários das solenidades serão os seguintes:
velorio-shedd
Velório do pastor Russell Shedd, na Igreja Bíblica Evangélica da Comunhão, Rua Tito 240, Vila Romana – São Paulo
Domingo dia 27 – velório: 10h00 às 20h00 – cultos: 10h00 e 18h00
Segunda-feira – velório: 9h00 às 19h00 – culto: 12h00
Terça-feira – velório: 9h00 às 19h00 – culto: 12h00
Quarta-feira – sepultamento: 14h00
Redação VINACC
Imagem: Google Images

EVANGELIZAÇÃO BÍBLICA


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Por  Mauro Rehder Meira

Evangelização é a suprema vocação de todo verdadeiro filho de Deus. A evangelização pode ser entendida como o anúncio das virtudes de Deus. 1 Pedro 2:9 "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;". Percebemos nesse texto que aqueles que são chamados à salvação, tem o propósito de anunciar ao mundo as virtudes de Deus, que chama pecadores, das trevas, para a sua maravilhosa luz; portanto, só estão habilitados a anunciar, aqueles que foram chamados, pois conhecem as virtudes e a maravilhosa graça de Deus.


A principal motivação bíblica para evangelizarmos as pessoas não é, a princípio, que elas sejam salvas, mas que Deus seja glorificado. A glória Deus é a maior motivação que temos para realizar todas as coisas desde as mais simples até as grandiosas, inclusive evangelizar (1 Coríntios 10:31). Deus tem compromisso e prazer com a sua própria glória; fomos criados para glorificar a Deus (Isaías 43:7). A maior manifestação da glória de Deus na história, sem dúvida foi quando Deus estava em Cristo, crucificado no madeiro, reconciliando consigo o mundo. Na cruz percebemos a manifestação gloriosa do seu eterno amor pela sua igreja, pela qual se entregou (Atos 20:28).

1 João 4:9-10 "Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por meio dele vivamos. Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados". Essa é a mensagem central do evangelho, é a essência do evangelho de Jesus Cristo, e essa mensagem deve nortear e dirigir a nossa evangelização.

Evangelizar não é convidar pessoas para vir na igreja, não é dar o seu testemunho, não é dizer que Deus é amor, não é dizer que Jesus quer ser seu melhor amigo, não é orar pelas pessoas, não é visitar as pessoas e não é ajudar as pessoas. Podemos e devemos fazer todas essas coisas como procedimentos complementares à nossa evangelização pessoal; entretanto, evangelizar, biblicamente falando, é apresentar o evangelho; é anunciar as boas novas, é fazer com que a pessoa evangelizada, entenda a sua real situação diante de Deus e o que Deus fez em Cristo na cruz, a fim de que ela seja aceita por Deus e tenha novamente comunhão com o seu criador. Por isso é necessário conhecer o evangelho a fim de apresentá-lo de maneira apropriada aos perdidos, pois a mensagem do evangelho é que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, nada mais (Rm 1:16).

Evangelizar é chamar pecadores ao arrependimento e à fé em Cristo, através da pregação da palavra Deus. A mensagem inicial de Jesus ao pregar o evangelho de Deus era: arrependei-vos e crede no evangelho (Mc 1:14-15). Evangelizar é chamar pecadores a obedecerem a Deus, mas percebemos que hoje em dia, essa mensagem em sua essência, se perdeu, em meio a tantas técnicas e modelos de evangelismo, que mal fazem cócegas no coração do homem morto em delitos e pecados; pois a mensagem apresentada por muitos não passa de psicologia e auto ajuda recheada de humanismo, fazendo o bem estar do homem o fim principal de todo suposto esforço evangelístico. Essa é uma abordagem deturpada e superficial da evangelização, comumente encontrada, infelizmente, em muitas igrejas.

Esse tipo de evangelismo pode ser qualquer coisa menos evangelismo e pode passar qualquer mensagem menos a do evangelho. Precisamos depressa, nos dedicar cada vez mais ao estudo das sagradas escrituras a fim de estarmos sempre prontos para compartilhar o evangelho, que é a razão da nossa esperança (1 Pe 3:15).

Se você tivesse a oportunidade de passar uma tarde com uma pessoa que não conhece o evangelho, você saberia evangelizá-la? Saberia por onde começar, quais versos ler, por onde caminhar com ela pelas escrituras, saberia como apresentar o evangelho e tirar suas dúvidas, respondendo com clareza aos seus questionamentos? Ou ficaria confuso sem saber o que dizer? Se não sabemos compartilhar de maneira bíblica o evangelho, temos que repensar nossa fé, pois como glorificaremos a Deus se não somos dedicados a fazer aquilo para o qual fomos chamados a fazer? (Mt 28:19-20)

Se vivemos para glorificar a Deus, como não haveremos de saber compartilhar com o mundo a mensagem da glória e do amor Deus, mensagem essa que o mundo urgentemente precisa ouvir? Evangelizar revela amor. Revela amor a Deus, pois desejamos a exaltação da sua glória e evidenciamos obediência a sua palavra, revela amor ao próximo, pois não há maior ato de amor para com os perdidos do que anunciar a única verdade que os pode salvar e, finalmente, revela o amor de Deus, pois evangelizar é a melhor maneira de revelar o amor de Deus ao mundo, pois Deus escolheu salvar pecadores, por meio da loucura da pregação (1 Co 1:21), por isso, devemos evangelizar. Pregue a palavra! (2 Tm 4:2).

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Ministério Bereia

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

"A PORNOGRAFIA É UMA DROGA QUE DESTRÓI E MATA", ALERTA PASTOR HERNANDES DIAS LOPES



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A pornografia é um mal que assola muitas pessoas. Segundo Angela Gregory, da Universidade de Notthingham (Inglaterra), homens entre 18 e 25 anos são os mais suscetíveis a sofrer com o vício em pornografia online. Ela acrescenta que grande parte dos acessos ao material pornográfico se dá por meio de celulares e notebooks. Mas, a pornografia também pode atingir aos cristãos. Este é o alerta do pastor Hernandes Dias Lopes.

Em um trecho de sua pregação, publicado na última sexta-feira (11), o pastor iniciou explanando o significado da palavra “leito” na passagem de Hebreus 13:4, que diz: “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará”.

“A palavra leito significa o que em português? Cama! Só que a palavra leito aqui não é cama. A palavra leito vem do grego ‘coitê’, de onde vem ‘coito’, relação sexual. Até porque não dá pra você saber que toda cama que você deita é sem mácula. Quem já dormiu em hotel aqui? Quem te garante que a cama que você dormiu no hotel era um leito sem mácula? Quem garante a você que não dormiu um devasso, lá?”, questiona.

“O que Deus está dizendo é que a relação sexual entre marido e mulher tem que ser sem mácula. E hoje, estatisticamente, 30% dos homens sobre tudo com o advento da internet, são viciados em pornografia. Eu vou fazer uma afirmação aqui muito complicada. Mas, eu estou diante de um auditório de mais de 200 pessoas e tem gente aqui dentro desse auditório que lida com esse problema. Pornografia”, ressaltou.

“Pornografia é uma droga. Que escraviza, que vicia, que deturpa, que destrói, que mata. O grande problema é que a pornografia, assim como a droga, a dose de hoje não serve para amanhã. Vai levando a pessoa a uma degradação contínua, progressiva”, afirmou.

Uma ilustração

O pastor Hernandes contou uma história verídica para melhor ilustrar o perigo da pornografia. “Eu estava morando nos EUA, no ano 2000 e 2001, para estudar, quando eu recebi um telefonema anônimo de uma mulher que disse: ‘Pastor, eu sou membro de uma igreja evangélica e meu marido também. Mas, o meu marido é viciado em pornografia e ele está no último estágio da degradação. Eu não sei mais o que faço’. Ela me disse: “Agora, a última dele é que ele quer que eu deite com um amigo nosso para assistir a cena e esse amigo frequenta a nossa casa e é mais jovem e mais bonito que o meu marido e eu não sei o que eu faço’”, relatou.

O pastor continua: “Eu disse para ela: ‘Confronte o seu marido. Se ele não se arrepender, abandone seu marido. É melhor você ser uma mulher divorciada do que ser uma prostituta. Se você ceder ao capricho da fantasia do seu marido, você vira prostituta. Confronte-o’”, falou.

“Eu jamais esperada isso, mas seis meses depois eu estava pregando a 2 mil quilômetros de onde eu morava. E eu estou na fila, depois do culto, na porta da igreja, cumprimentando as pessoas. Aproxima-se de mim uma mulher com seus 25 anos, estende a mão e diz: ‘Pastor, eu sou a mulher que ligou para o senhor no dia tal sobre tal assunto’. E eu disse, e ai minha filha, o que aconteceu? Ela disse: ‘Eu confrontei meu marido. Graças a Deus ele se arrependeu e pediu perdão. Deus restaurou meu marido e restaurou meu casamento. Deus salvou a nossa família’”, finalizou.

Confira o trecho completo clicando no vídeo abaixo:



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Guiame

5 Maneiras de Orar por Seu Pastor

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por Nicholas Batzig


Um dia desses eu recebi uma carta de um médico que eu não conhecia até então. Tendo me dito o quão ele havia sido beneficiado por alguns de meus sermões e artigos, ele continuou e me disse: “Eu oro por você. Eu serei capaz de fazê-lo diariamente agora, e estou certo de que você será ajudado e fortalecido em seu ministério e sua família.” Este foi um enorme conforto e encorajamento para mim. Ao contrário do que algumas pessoas possam supor, ministros do evangelho precisam desesperadamente das orações dos santos. Um de meus professores de seminário costumava dizer ao corpo discente: “Pastores possuem um alvo em suas costas e pegadas em seus tórax.” Esta é uma descrição bastante apropriada das dificuldades que os servos de Deus são chamados para suportar por causa do evangelho. Os dardos inflamados do maligno estão persistentemente sendo atiradas em pastores. Além disso, o mundo está ansioso por atropelá-los em qualquer oportunidade. Isso é, infelizmente, também uma realidade com relação a alguns na igreja.

Com tanta oposição e dificuldade de dentro e de fora, pastores precisam constantemente que o povo de Deus esteja orando por eles. O pastor precisa das orações das ovelhas tanto quanto elas precisam das orações dele. Ele também é uma das ovelhas de Cristo, e está suscetível às mesmas fraquezas. Ainda que haja muitas coisas que se possa orar pelos pastores, aqui estão cinco categorias escriturais diretas:

1. Ore para que ele seja protegido espiritualmente contra o mundo, a carne e o Diabo.

Quer tenha sido a ira pecaminosa de Moisés que levou-o a golpear a rocha (Números 20:7-12), o adultério e o assassinato de Davi (2 Samuel 11), ou a negação de Pedro ao Senhor (Mateus 26:69-75) e a negação prática da justificação somente pela fé (Gálatas 2:11-21), os ministros são confrontados com a realidade da fraqueza da carne, das investidas do mundo e da fúria do diabo (veja este artigo). Tem havido uma pletora de ministros que caíram em práticas pecaminosas na história da igreja, trazendo assim desgraça para o nome de Cristo. Visto que Satanás tem os ministros do evangelho (e suas famílias) trancados em sua mira; e visto que a honra de Deus está em jogo de maneira intensificada com qualquer ministro público da palavra, membros de igreja devem orar para que seu pastor e a família de sue pastor não seja uma vítima do mundo, da carne, ou do Diabo.

2. Ore para que eles sejam livrados dos ataques físicos do mundo e do Diabo.

Enquanto esteve aprisionado em Roma, o apóstolo Paulo encorajou os crentes em Filipos a orarem por sua libertação quando escreveu: “Estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação” (Filipenses 1:19). (Veja também 2 Coríntios 1:9-11).

Quando Herodes prendeu Simão Pedro, nós aprendemos que “havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele” (Atos 12:5). Após uma libertação digna do Êxodo, Lucas nos diz que Pedro apareceu na casa onde os discípulos estavam continuamente orando por sua libertação. Este é ainda outro exemplo do ministro sendo livrado do mal devido, em parte, às orações dos santos.

3. Ore para que portas sejam abertas para eles para que espalhem o evangelho.

Em sua carta aos Colossenses, Paulo pediu à igreja que orasse “para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado” (Colossenses 4:3). O sucesso do compartilhamento do evangelho é dependente, em parte, das orações do povo de Deus. Desta maneira, a igreja participa do ministério do evangelho com o pastor. Embora ele não seja o único no corpo que seja chamado para espalhar a Palavra, ele possui o chamado único de “fazer o trabalho de um evangelista.” Os santos o ajudam a cumprir este trabalho orando para que o Senhor abra as portas “à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo.”

4. Ore para que eles tenham ousadia e poder para pregar o evangelho.

Além de orar para que portas sejam abertas para o ministério da palavra, o povo de Deus deve orar para que os ministros possuam uma ousadia forjada pelo Espírito. Quando escreveu à igreja de Éfeso, o apóstolo Paulo pediu que eles orassem “para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho” (Efésios 6:19).  Há uma história muito conhecida de vários estudantes universitários indo visitar o Tabernáculo Metropolitano para ouvir Charles Spurgeon pregar. A história diz que Spurgeon os encontrou na porta e se ofereceu para mostrar-lhes o lugar. Em determinado momento, ele perguntou se eles queriam ver as instalações do aquecedor (a sala da caldeira). Ele os levou ao subsolo onde eles viram centenas de pessoas orando para que Deus abençoasse o culto e a pregação de Spurgeon. A reunião do povo de Deus para orar pelo ministério da Palavra é o que ele chamava de “as instalações do aquecedor!” Crentes podem ajudar os ministros orando para que lhes seja dada ousadia e poder na pregação do evangelho.

5. Ore para que eles tenham um espírito de sabedoria e entendimento.

Uma das mais urgentes necessidades de um ministro do evangelho é que lhe seja dada a sabedoria necessária para aconselhar, para saber quando confrontar, para mediar e discernir as necessidades pastorais particulares de uma congregação. Esta é uma necessidade que absolutamente abrangente e recorrente. O ministro é confrontado diariamente com os desafios particulares para os quais ele necessita desesperadamente da sabedoria de Cristo. É dito a respeito de Jesus que “o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza” repousaria sobre Ele (Isaías 11:2). Os servos de Cristo precisam do mesmo Espírito. Muito prejuízo é causado na igreja como um todo se o ministro não procede com a sabedoria proporcional aos desafios com os quais ele é confrontado. Aqueles que se beneficiam de sua sabedoria podem ajudar o ministro pedindo para que esta divina bênção venha do céu e repouse sobre ele.

Por Nicholas Batzig. Extraído do site ligonier.org. © 2012 Ligonier Ministries. Original: 5 Ways to Pray for Your Pastor in 2013

Tradução: Alan Cristie – Editora Fiel © Todos os direitos reservados
Fonte: Editora Fiel

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O que eu perco quando perco o culto?

image from google


Você pode imaginar a sua vida sem culto? Você consegue imaginar a sua vida sem se reunir regularmente com o povo de Deus, para adorá-lo em conjunto? O culto corporativo é um dos grandes privilégios da vida cristã. E talvez ele seja um daqueles privilégios que, ao longo do tempo, tomemos como certo. Quando eu paro para pensar a respeito, não consigo imaginar a minha vida sem culto. Eu nem mesmo desejo pensar nisso. Mas eu acho que vale a pena considerar: O que eu perco quando eu perco o culto?

Vivemos numa cultura consumista onde temos a tendência de avaliar a vida através de meios muito egoístas. Fazemos isso com o culto. “Hoje o sermão não falou comigo. Eu simplesmente não consegui apreciar as canções que cantamos nesta manhã. A leitura da Escritura foi demasiado longa”. Quando falamos dessa maneira podemos estar dando provas de que estamos indo à igreja como consumidores, como pessoas que desejam ser servidas em vez de servir.

No entanto, o ponto primário e o propósito de cultuar a Deus é a sua glória, não a satisfação das nossas necessidades sentidas. Nós adoramos a Deus, a fim de glorificar a Deus. Deus é glorificado no nosso culto. Ele é honrado. Ele é magnificado à vista daqueles que se juntam a nós.

Dessa forma, o culto rompe completamente com a corrente do consumismo e exige que eu cultue por amor da sua glória. Tenho ouvido dizer que o culto “é a arte de perder o ego na adoração de outro”. E é exatamente este o caso. Eu esqueço de tudo sobre mim e dou toda honra e glória a Ele.

O que eu perco sem o culto? Eu perco a oportunidade de crescer através de ouvir um sermão e de experimentar alegria por meio do cântico de grandes hinos. Eu perco a oportunidade de me unir a outros cristãos em oração e para recitar grandes credos com eles. Mas, mais que isso, eu perco a oportunidade de glorificar a Deus. Se eu parar de cultuar, estarei negligenciando um meio através do qual eu posso glorificá-lo.

Você vê? O culto não é sobre você ou sobre mim. O culto é sobre Deus. E, realmente, isso muda tudo.

Quando vejo o culto como algo que, em última análise, existe para o meu bem e para a minha satisfação, fica fácil tirar um dia de folga e pensar que a minha presença não faz nenhuma diferença. Mas quando eu venho para glorificar a Deus, eu entendo que ninguém mais pode tomar o meu lugar. Deus espera o levantar das minhas mãos, o erguer do meu coração e o levantar da minha voz a Ele.

Quando vejo o culto como algo que é todo sobre mim, fica fácil pular de igreja em igreja e estar sempre à procura de algo que se ajuste melhor a mim. Mas quando eu vejo a igreja como algo que é verdadeiramente sobre Deus, me pego procurando por uma igreja mais pura e melhor em adorar do modo exato como a Bíblia ordena – Eu procuro por uma igreja através da qual eu possa glorificá-lo cada vez mais.

Sem dúvida, o culto é um privilégio. Mas também é uma exigência, uma responsabilidade. E a maior responsabilidade, bem como o maior privilégio no culto, é trazer glória a Deus.

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Autor: Tim Challies 
Fonte: What Would I Lose if I Lost Worship?
Tradução: Rev. Alan Renê Alexandrino Lima

sábado, 5 de novembro de 2016

CRIE SEU FILHO PARA GLÓRIA DE DEUS


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Por Daniel Rodrigues Kinchescki
“Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para glória de Deus” – 1Co 10.31

Vivemos em tempos assombrosos. A “família” é constantemente atacada, constantemente afrontada. Vemos pais matando, humilhando, massacrando seus filhos, e infelizmente a recíproca é verdadeira. Neste mundo corrompido pelo pecado, infelizmente nos deparamos com famílias cristãs despreparadas, sem fundamento sólido, sem base.

Já não se reúne mais os filhos ao redor da mesa para a realização de um culto doméstico, por exemplo. De modo trágico, até os momentos de refeição já são realizados de forma quase que solitária. Corroborando com isto, o avanço tecnológico, somado ao seu péssimo uso, serviu para aproximar os distantes, porém distanciando os que eram próximos.

Vemos pais que não se aproximam de seus filhos, não acompanham seu dia a dia escolar, não investigam os círculos de amizade, as conversas, os jogos. Os pais, em sua grande maioria, abriram mão da educação de seus filhos, lançando-os ao vento.

Pai, mãe, você sabe o que seu filho tem aprendido na escola? Sabe se ele sofre ou pratica o bullying? Conhece os professores dele?
Vemos uma geração de pais que deseja um futuro espetacular e abençoado para seus filhos – mas que não participa deste processo de aprendizagem! Os genitores, guardiões, detentores do cuidado e zelo pela vida, educação e alma de suas crianças tornaram-se como que apáticos, “dando de ombros” para aquilo que estas aprendem nas escolas. Em um momento tão terrível para a educação brasileira, que enfrenta constantemente assaltos advindos das mais diversas ideologias e pensamentos, os “guardiões da moral” calam-se perante o massacre que acontece nas salas de aula.

Cada criança e adolescente de hoje é o pastor, o educador, o “cristão exemplo” de amanhã. Agora, formamos o caráter de vários de nossos pequenos irmãos, também chamados por Cristo à obra. Este é um alerta à Igreja, naturalmente, mas de modo especial aos pais: vocês são os responsáveis diretos pelo futuro de seus filhos. Se no Ensino Médio seu filho desviar-se dos caminhos do Senhor por culpa de uma ideologia qualquer, acreditando que ninguém nasce “homem” ou “mulher”, mas que estes conceitos são definidos e escolhidos pelo indivíduo, é porque provavelmente você não lutou contra a ideologia de gênero quando sua criança estava no Ensino Fundamental. Estes ataques são sutis, e devem ser observados com cautela.

Como por exemplo, há de se citar um filme antigo, chamado no Brasil de “Babe: o porquinho atrapalhado”. Em termos gerais, o longa metragem conta a história de um porco que sonhava em ser um cão, com o objetivo de ajudar no pastoreio das ovelhas. Ao final do filme, Babe alcança seu objetivo, desenvolvendo as atividades deste canino, mesmo sendo um suíno. Em outras palavras, alguém que “venceu as barreiras da biologia e conseguiu transformar-se no que queria”. É esse tipo de informação que seu filho provavelmente recebe de modo diário e contínuo

Em contrapartida, pela Graça de Deus, temos também alguns pais mais responsáveis, que participam de forma ativa na criação de seus filhos. Entretanto, confesso que muito me preocupo com estes também, pois alguns realizam este tão importante processo de uma maneira extremamente equivocada. Dizem, de forma constante, que pretendem criar seus filhos “para o mundo”, “para que sejam bons profissionais” ou “boas pessoas”. Para que tenham um “com caráter”.

É aqui que desejo dar início à explicação do porquê o versículo trinta e um, do capítulo primeiro e da primeira carta de Paulo aos de Corinto ser o texto base para este sermão. Paulo escreve este verso em questão num contexto muito diferente do que vivemos atualmente. Tensionando abordar a questão da “liberdade cristã”, o apóstolo utiliza de exemplos voltados à alimentação e bebida, concluindo sua linha geral de pensamento afirmando que tudo deve ser feito para glória de Deus. Quanta riqueza nesta tão simples expressão!

Quando, analisando o texto em sua linguagem original, o grego, vemos que o significado destas palavras é mais profundo que em nossa língua materna. Paulo está afirmando que o “foco”, o “alvo”, o “topo” de todo Cristão deve ser “honrar”, “exaltar”, “adorar” a Deus em todos os momentos.

Com isto, deixo a seguinte pergunta: o que é, então, criar um filho para a glória de Deus? Pois bem, vamos às respostas.

Saiba que a criança é mais filha de Deus que de você: Observando a vida de Abraão, o patriarca, notamos o quão firme era esta verdade em seu ser. Foi pai de Isaque quando já em idade avançada, tendo sonhado com esta promessa de Deus por todo o tempo em que peregrinou na terra. Quando cumprida, o Senhor então requer de Abraão a criança. O próprio Deus, ao requerer tal sacrifício do patriarca, afirma o quão apegado Abraão era a seu herdeiro.
“E aconteceu depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi”. Gn 22.1-2

Os filhos são herança do Senhor (Sl 127.3), como que presentes do Soberano a quem tornar-se-á pai ou mãe, mas devem ser criados de modo a glorificar a Deus em primeiro lugar. Gostamos de citar que o primeiro mandamento com promessa é o de honrar os pais (Ex 20.12), porém é necessário ter em mente que há outro mandamento acima deste, que por Cristo foi dito como o maior de todos (Mt 22.36-38), e que os genitores precisam constantemente trazer à mente: amar ao Senhor de todo o coração, de toda alma e de todo pensamento.

Os filhos devem ser criados para servir a Deus, glorificando ao Santo nome do Senhor, honrando, então, o nome de seus pais ao fazê-lo. 

Seja o exemplo de seu filho: Há algum tempo encontrei um artigo sobre o porquê de o autor não ler mais a bíblia em casa através de aparelhos eletrônicos, e sim utilizando-se do “livro”. Naturalmente, não apontou que é pecado fazê-lo, mas um dos argumentos utilizados – e entenda, foi algo pessoal do autor em questão e que partilho como linha de pensamento – é que seus filho o veriam lendo as Sagradas Escrituras. Este ponto, acima de todos os outros elencados, foi o que me saltou aos olhos: um pai, pastor, escritor e pregador, abrindo mão de um “conforto tecnológico” para dar exemplo aos filhos.

Há um velho ditado que afirma que uma atitude vale mais que mil sermões. Ao observarmos a Bíblia, vemos que isso é verdade. Cristo, enquanto aqui caminhou, ensinou a seus discípulos através de inúmeros sermões, porém deixou também sua Doutrina gravada através de seus passos. Quando no momento de ensinar a seus seguidores como orar, Jesus lhes dá um exemplo de oração (Mt 6.9).

Quanto a isto, cito até mesmo meu exemplo. Quando pequeno, após dar início à caminhada na fé cristã, a ideia de ler a Bíblia ou de orar sequer passavam por minha cabeça. Minha mãe, de forma zelosa e muito preocupada, tentava a todo custo me estimular para fazê-lo. Quanto mais ela insistia, menos eu me aproximava da Palavra. Dado momento, notei que ela parou de insistir, e apenas sentava-se no sofá da sala e por horas debruçava-se nas Escrituras. Este exemplo dela, esta devoção, foi despertando em mim o desejo de me parecer com o que ela havia se tornado após este hábito diário: uma pessoa mais calma, prudente, separada, desenvolvendo o fruto do Espírito.
Crie seu filho nos caminhos do Senhor: Sim, soa muito óbvio isso, mas existe um número absurdo de pais que não entendem o “chamado discipulador” que recebem quando no nascimento de uma criança. Criar a criança nos caminhos do Senhor vai muito além de apenas levá-la aos cultos e entregá-la às “tias dos cultinhos infantis”. É investir no “crescimento espiritual” de seu filho. É saber incentivá-lo na busca, procura, anseio pelo Criador e seus estatutos. É pregar, em seu coração, as Leis de Deus. No passado, disse Moisés ao povo:

“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te”. Dt 6.6-7

Crie seu filho para que ele não seja apenas um “pregador” ou “cantor”, mas sim um verdadeiro cristão em todos os momentos: Pode parecer contraditório ao que exposto no início deste sermão, mas capacite seu filho através de estudos, aulas e demais meios de ensino – isso, os dito “seculares” – para que ele tenha uma sólida formação profissional, e que através de sua futura atividade laboral ele venha a glorificar ao Senhor. Prestamos a Deus um culto rico quando ele é constante e saudável, sob os termos bíblicos, e não apenas nos dias de reunião na igreja. Que seu filho não minta quando fizer algo errado e for repreendido pelo supervisor. Que ele não esconda a nota baixa de você, por medo de uma severa correção. Ser “cristão” é ser como Cristo.


Por fim, e nesta conclusão é que apresento o quinto ponto, e creio que seja um dos mais importantes, ame seu filho. Você tem o dever de cuidar dele, ensiná-lo nos caminhos em que deve andar, então cumpra este dever para com o Senhor de forma amorosa, como convém a pais verdadeiramente cristãos.


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Fonte:Reformai

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Martinho Lutero: O precursor da Reforma Protestante



Martinho Lutero nasceu a 10 de novembro de 1483 no centro da Alemanha, em Eisleben, Turíngia/Alemanha. Seus pais, João e Margarida, eram pobres - João era mineiro e lenhador - porém não iletrado, de modo que puderam dar-lhe boa orientação educacional. Visando a melhorar a vida econômica, fixaram residência, em 1484, em Mansfeld, onde Martinho iniciou seus estudos. Terminando o curso da escola daquela localidade, então com 14 anos, deixou a casa paterna e ingressou na escola superior de Magdeburgo. Depois de um ano ali, teve que retornar à casa paterna acometido de grave enfermidade, indo por esta razão, no ano seguinte, estudar em Eisenach. Três anos cursou o colégio de Eisenach. Em 1501 ingressava na Universidade de Erfurt, cidade conhecida como "Roma Alemã" pelo número de suas igrejas e mosteiros. Obteve ali os graus de Bacharel (1502) e Mestre em Arte (1505). No mesmo ano ingressou no curso de Direito.

Este, porém, foi interrompido visto que, a 02 de julho de 1505, regressando da casa paterna, teve sua vida seriamente ameaçada por uma tempestade que, por pouco, lhe tirara a vida. Fez, nesta oportunidade, um voto a Sant’ana que, se lhe fosse dado viver, ingressaria no mosteiro para tornar-se monge. No dia 17 de julho de 1505 as portas do convento da Ordem dos Agostinhos fechavam-se atrás dele.
Sacerdote
Em fevereiro de 1507 foi ordenado sacerdote. Vivia, no entanto, em completo desespero, buscando, dias e noites a fio, em tremendos tormentos espirituais, resposta à pergunta: "De que maneira conseguirei um Deus misericordioso?" Reconheceu muito logo que jamais seria possível obter certeza de sua salvação mediante boas obras, pela impossibilidade de saber se são suficientes, mormente em se tratando de uma alma de consciência extremamente sensível.
Professor
Por indicação do vigário da ordem, João de Staupitz, que reconhecia em Lutero urna erudição e inteligência incomuns, Lutero foi designado professor na Universidade de Wittenberg, fundada em 1502 por Frederico, o Sábio, duque da Saxônia e presidente dos sete eleitores civis que, juntamente com sete autoridades religiosas, elegiam o imperador do Sacro Império -Romano da Nação Alemã. Ocupou ali a cadeira de Teologia. Continuou também seus estudos, instruindo-se principalmente nas línguas gregas e hebraica. A 09 de março de 1509 obteve o grau de Baccalaureus Biblicus.
Viagem a Roma
Em 1511, então com 28 anos, foi enviado em missão diplomática a Roma, para solucionar uma divergência entre sete conventos de sua Ordem e o vigário geral da mesma. A corrupção, imoralidade, as zombarias, o desrespeito do clero e da cúpula da igreja para com as coisas sagradas marcaram nele uma profunda decepção. Embora profundamente entristecido, as esmagadoras desilusões sofridas não o levaram a descrer de sua igreja.
Doutor em Teologia
Em outubro de 1512, recebia, das mãos do decano da faculdade de Teologia, o grau de Doutor em Teologia. Assumiu, a seguir, a cadeira de Lectura in Bíblia lecionando, à base das línguas originais, o hebraico do Antigo Testamento e o grego do Novo Testamento, incorporando conquistas do humanismo na ciência da interpretação de textos. Ainda em 1512, foi eleito subprior do convento de Wittenberg. Em maio de 1515, o cabido geral reunido em Gotha o designava vigário do distrito, que compreendia onze conventos sob sua orientação e autoridade.
Preleções
As suas preleções eram tão concorridas que a elas acorriam estudantes de todas as partes e países vizinhos. Os professores assistentes também aumentavam. O reitor da Universidade chegou a declarar, como que em antevisão: "Este frade derrotará todos os doutores; introduzirá uma nova doutrina e reformará toda a igreja; pois ele se funda sobre a palavra de Cristo, e ninguém no mundo pode combater nem destruir esta Palavra..." (Melchior, Adam. Vita Lutheri, p. 104). Ocupando o púlpito, a capela logo não mais podia comportar os assistentes. O senado o convidou então a ocupar a igreja paroquial da cidade.
Justificação pela fé
Nos seus conflitos espirituais, o texto bíblico que lhe trouxe a luz da verdade e a paz de consciência veio a ser a célebre passagem da Epístola aos Romanos (1.17), em que o apóstolo cita o profeta Habacuque: "0 justo viverá por fé" Viu que São Paulo fazia do sacrifício de Cristo o centro da verdade em religião. Seus pecados, angústias, sofrimentos haviam caído sobre os ombros de Cristo na cruz; Cristo fizera o que ao pecador teria sido impossível fazer com suas penitências e méritos pessoais.
As Teses
Em 1517, Lutero quis provocar um debate público sobre a venda de indulgências promovidas pelo Papa Leão X e o arcebispo Alberto de Mogúncia através da Ordem dos Dominicanos. Quando pregou à porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517, o pergaminho com as 95 teses em latim para serem debatidas entre os acadêmicos, conforme o costume da época, não desejava desencadear um movimento na história da igreja. Era o pároco que, com preocupado, via como as almas dos fiéis eram desnorteadas por um grande escândalo, descaradamente apregoado em nome da santa Igreja: a venda do perdão de Deus, como se fosse mercadoria, por meio de cartas de indulgência, cujo lucro se destinava ao término da basílica de São Pedro e à cruzada contra os turcos. Seu principal proclamador era o dominicano Tetzel. Eis algumas das teses apresentadas por Lutero: - Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos... etc., pretendia falar da vida interior do cristão que deveria ser um contínuo e ininterrupto arrependimento (Tese I) - Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório (Tese 27) - Todo o cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados e sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indigência (Tese 36) - Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências e o próprio papa oferecessem sua alma como garantia (Tese 52) As proposições sobre as indulgências eram completadas por algumas outras, que continham o que viria a ser fundamental na doutrina luterana: - Aos olhos de Deus, não há na criatura senão concupiscências; - Ninguém se salva senão pela graça de Deus através da fé. O efeito dessas teses foi tão inesperado, que elas não ficaram entre os letrados; traduzidas ao alemão, em poucas semanas se espalharam por toda a Alemanha e outras partes da Europa, chegando ao conhecimento do povo em geral.
Reação de Roma
Em 1518, Roma tratou de liquidar o caso do monge de Wittenberg. Lutero foi chamado para responder processo em Roma, dentro de sessenta dias. Mas, por interferência de Frederico, o Sábio, Príncipe da Saxônia, o Papa consentiu que a questão fosse tratada em Augsburgo, pelo Cardeal Cajetano. Este exigia simplesmente que Lutero se retratasse, o que este, naturalmente, não fez. Tinha Lutero nessa época o apoio do capítulo da Ordem dos Agostinhos e do corpo docente da Universidade de Wittenberg. Cajetano declararia depois dos três encontros com Lutero: "Ele tem olhos que brilham, e raciocínio que esconcertam".
O Papa temia suscitar oposição cerrada entre os príncipes alemães. Valeu-se, para que isso não acontecesse, da diplomacia. Condecorou o protetor de Lutero, Frederico, o Sábio, com a "Ordem da Rosa Áurea da Virtude" para afastá-lo de Lutero, e enviou o conselheiro Karl von Miltitz. Este conseguiu, com brandura, queLutero escrevesse uma carta ao papa, declarando sua fiel submissão; mas reafirmou, também, sua doutrina da justificação pela fé somente, sem os méritos de obras. Expôs e defendeu sua posição num debate com o Dr. João Eck em Leipzig. O que precipitou o rumo das coisas foi sua declaração de que nem todas as doutrinas de João Hus (queimado como herege em Constança, em 1415) eram falsas, e que os concílios são passíveis de erros em suas decisões. Isto o colocou à margem da igreja papal, que se fundamentava sobre a infalibilidade do papa e dos concílios.
Primeiros Escritos
Em 1520 escreveu três livros fundamentais mostrando o antagonismo do sistema de salvação papal e o ensino bíblico: "À Sua Majestade Imperial e à Nobreza Cristã sobre a Renovação da Vida Cristã",- "Sobre a Escravidão Babilônica da Igreja" e "Da Liberdade Cristã" ' Alguns de seus pensamentos-chave aí registrados são estes: - "0 cristão é um livre senhor sobre todas as coisas e não submisso a ninguém - pela fé"; "o cristão é servidor de todas as coisas e submisso a todos - pelo amor". "Não fazem as boas obras um bom cristão, mas um bom cristão faz boas obras".
Excomunhão
A resposta do Papa foi a bula de excomunhão Exsurge Domine. Tinha ainda 60 dias para retratar-se do que havia escrito e ensinado. Em 03 de janeiro de 1521 esgotou-se o prazo dado na bula, sendo então proferido o anátema definitivo, pela bula Decet Romanum Pontificem.
Dieta de Worms
Em 1521 reunia-se a primeira Dieta ou Assembléia do império, presidida pelo jovem imperador Carlos V, eleito em 1520, em sucessão a Maximiliano, para dirigir o reino "em que o sol não se punha". Lutero, intimado, compareceu diante da assembléia em 17 e I S de abril de 15 2 1. Perguntado se renunciava ao que tinha escrito, respondeu: "Não posso, nem quero retratar-me, a menos que seja convencido do erro por meio da palavra bíblica ou por outros argumentos claros. Aqui estou; não posso de outra maneira! Que Deus me ajude. Amém".
Tradução do Novo Testamento
Proscrito pelo imperador, foi posto em segurança pelo duque Frederico, através de um seqüestro simulado de cavaleiros embuçados, durante sua viagem de retomo, e escondido no Castelo de Wartburgo, nas proximidades de Eisenach. Sua principal realização nesse período foi a tradução do Novo Testamento grego para um alemão fluente de grande aceitação popular. Os primeiros 5 mil exemplares esgotaram-se em 3 meses. Em cerca de dez anos houve 58 edições. Em 1522, com risco de vida, reassumiu as funções de professor em Wittenberg. Juntamente com Felipe Melanchthon (cognominado Praeceptor Germaniae - educador da Alemanha), seu grande amigo e colaborador, instruiu centenas de estudantes alemães, boêmios, poloneses, finlandeses, escandinavos.
Guerra dos Camponeses
Marcou o ano de 1525 a Guerra dos Camponeses - uma revolução armada em que os camponeses, sob federação, reivindicaram mais liberdade aos latifundiários. Em seus objetivos políticos sociais idealizaram Martinho Lutero como chefe. Confundiram reivindicações políticas com aspirações religiosas. Lutero, embora compreendendo suas necessidades, viu-se forçado a distanciar-se do movimento porque não era política a missão dele. A carnificina, com batalha final em Frankenhausen, trouxe prejuízos ao movimento da Reforma. Mas esta, a despeito de todos os abusos praticados em seu nome, se expandia. Lutero procurava consolidar as igrejas e escolas que haviam aderido à Reforma em território alemão e países vizinhos. Neste mesmo ano (I 525) casou-se com uma ex-freira, Catarina de Bora, de cujo casamento lhes nasceram 6 falhos.
Culto e Liturgia
De 1527 a 1529 esteve empenhado na organização da Igreja Evangélica. Compositor e poeta, compôs trinta e sete hinos. Cabe-lhe a celebridade de popularizar o Lied eclesiástico. Era também conhecido como o "Rouxinol de Wittenberg". Traduziu a ordem da missa para o alemão - Deutsche Messe 1526 - a partir do que os cultos passaram a ser celebra. dos na língua do povo, e não no latim que ninguém entendia.
Os dois Catecismos
Em 1529 redigiu dois manuais de instrução, até hoje em uso nas igrejas luteranas: "Catecismo Menor" e "Catecismo Maior" Os dois volumes apresentam, em seis partes, um sumário da doutrina cristã. O primeiro é escrito, especialmente, para as crianças; o segundo, para os pais. Justificando, o Reformador afirma: "A lamentável e mísera necessidade experimentada recentemente, quando também fui visitador, é que me obrigou e impulsionou a preparar este Catecismo ou doutrina cristã nesta forma breve, simples e singela. Meu Deus, quanta miséria não vi! O homem comum simplesmente não sabe nada da doutrina cristã, especialmente nas aldeias". Numa outra oportunidade afirma: "Eu também sou doutor e pregador, e, na verdade, tenho de continuar diariamente a ler e estudar, e ainda assim não me saio como quisera, e devo permanecer criança e aluno do Catecismo".

Somente a Escritura
No mesmo ano realizou-se, no mês de outubro, um encontro entre Ulrico Zwínglio e Lutero para um debate doutrinário, denominado Colóquio de Marburgo, urna controvérsia eucarística. O pregador Zwínglio, que vivia na Suíça, também reconhecera a apostasia da igreja romana, pregai)do a Palavra e testemunhando contra as indulgências. Diferia, no entanto, da doutrina de Lutero e a discrepância básica resumia-se na pergunta: Os artigos de fé devem basear-se exclusivamente na Palavra de Deus ou também na razão humana? Não chegaram a um acordo, visto que a resposta de Lutero não admitia dúvida: A Escritura, e nada além dela, é fonte de artigos de fé, como também, mais tarde, a Fórmula de Concórdia o expressa: "Cremos, ensinamos e confessamos que somente os escritos proféticos e apostólicos do Antigo e do Novo Testamento são a única regra e norma segundo a qual devem ser ajuizadas e julgadas igualmente todas as doutrinas e todos os mestres".
Confissão de Augsburgo
Auxiliou o duque João Frederico a delinear sua estratégia em relação à Dieta de Augsburgo (l53O), convocada Pelo imperador para superar o cisma- Acompanhou a redação, por Felipe Melanchthon, duma defesa oficial, que veio a chamar-se Confissão de Augsburgo.
O documento - a primeira e mais notável das confissões evangélicas - foi lido em público à assembléia imperial, em nome de príncipes e cidades partidárias da Reforma, a 25 de junho de 1530. Era Composto o documento de duas partes: uma, dogmática; outra, apologética. Argumentavam na Confissão que, quanto à doutrina, continuavam fiéis ao que a igreja vinha ensinando à base das Escrituras Sagradas, conforme os Credos Apostólico e Niceno; com respeito ao culto, mantinham os ritos antigos consentâneos ao evangelho, cancelando apenas aqueles costumes, ritos e cerimônias que obscureciam a glória de Jesus Cristo como o único Mediador entre Deus e Os homens. Reivindicaram, por conseguinte, o direito de conviver em Paz com o papa e os bispos no seio da igreja do império. O imperador, ouvida a Confissão, determinou que os teólogos de Roma elaborassem a Confutação Católica à confissão de Augsburgo. A 03 de agosto fez-se a leitura desta. Não terminava ainda a apresentação de confissões religiosas, e Lutero e Melanchthon responderam à Confutação com a Apologia da Confissão de Augsburgo, de alto valor teológico, mas da qual a Dieta não quis tomar conhecimento. A Dieta lhes concedeu o prazo até 15 de abril de 1531 para voltarem ao seio da igreja romana e exigiu rigoroso cumprimento do Édito de Worms. Embora desaconselhados por Lutero, constituiu-se em fevereiro de 1531 uma poderosa agremiação política dos príncipes luteranos, denominada "Lida de Esmalcalde". Porém, em vista do perigo dos turcos às portas do império, em Viena, o imperador dependia do auxilio militar dos príncipes evangélicos; por isso, pela Paz de Nüremberg, para a qual Lutero muito contribuiu, em 1532, permitiu aos adeptos da Confissão de Augsburgo a persistirem nas suas doutrinas e concedia-lhes ainda outros privilégios. Essa tolerância seria dada até a realização de um concílio da igreja.
Tradução do Antigo Testamento
Não houve, assim, apesar dos esforços, uma maneira de restabelecer a unidade na igreja e no império. Em 1534 Lutero terminava uma tarefa em que havia trabalhado mais de 10 anos: a tradução do Antigo Testamento para o alemão. No mesmo ano pode-se publicar, então, a Bíblia completa. Em 1536 Lutero redigiu, por solicitação do duque João da Saxônia, artigos para serem apresentados num "Concilio geral livre" convocado pelo Papa. Os Artigos de Esmalcalde, porém, não chegaram a ser apresentados. Os líderes evangélicos concluíram que o concilio não seria livre e se negaram a participar do Concílio de Trento (l545 - 1563), que desencadeou a contra-reforma, no pontificado de Paulo III.
Paz de Augsburgo
A Paz de Augsburgo, em 1555, atendeu, de certa forma, aos reclamos dos evangélicos. Substituiu a tolerância religiosa nestes termos: os príncipes e cidadãos do império respeitariam a filiaçao religiosa de cada um, e o povo teria a opção de adotar a confissão religiosa do respectivo domínio ou de emigrar a território que tivesse a confissão desejada.
Martinho Lutero faleceu aos 62 anos de idade, em 18 de fevereiro de 1546, em sua cidade natal, Eisleben, depois de solucionar um litígio entre os condes de Mansfeld. Com grande cortejo fúnebre e ao som de todos os sinos, Lutero foi sepultado sob as lajes da igreja do Castelo de Wittenberg, onde sempre pregava o evangelho.
Contra-Reforma
A Contra-reforma, liderada pela ordem dos jesuítas, reconquistou vários territórios que tinham aderido à Reforma. Não obstante, a doutrina, o culto e a piedade preconizados por Lutero se enraizaram na Alemanha, nos países bálticos, nos países escandinavos e na Finlândia. Através doutros reformadores, foram acolhidos na França, Inglaterra, Escócia e Países ' Baixos. Em todos estes países, a Reforma ocasionou extraordinário desenvolvimento cultural, notadamente na educação, ciência, economia e política. Pela emigração, os "Luteranos" se espalharam por todos os continentes. Contam, hoje, cerca de 70 milhões. Frade, sacerdote, professor, doutor em Teologia, pregador considerado o primeiro de seu tempo, escritor vigoroso e de grande riqueza lexicografia, fixador da língua alemã, poeta e músico, Lutero abalou o mundo de seus dias e sobre ele se tem pronunciado. ciado o juízo dos séculos.
Pronunciamentos sobre Lutero
O historiador Schaff diz que "este foi o maior homem que a Alemanha produziu e um dos maiores vultos da história". Goethe dá o seu testemunho nestes termos: 'Dificilmente compreendemos o que devemos a Lutero e à Reforma em geral. Ficamos livres dos grilhões da estreiteza espiritual (... ) compreendemos o cristianismo em sua pureza". .Heinrich -Heine, o poeta excelso, exclama: "Honra a Lutero, a quem devemos a reconquista dos nossos direitos mais sagrados, e de cujos benefícios vivemos hoje em dia. Através de Lutero adquirimos a liberdade religiosa. Criou a palavra para o pensamento. Criou a língua alemã, através da tradução da Bíblia": Dollinger, historiador católico liberal, diz: "Lutero deu aos alemães o que nenhum outro jamais dera a seu povo: a língua, a Bíblia, a hinologia..." É reconhecido c omo "pai da alfabetização". Dirigiu-se aos pais através de profusas publicações, encarecendo-lhe a escola e a educação dos filhos como necessidade inadiável, para a pátria e a igreja verem melhores dias. Um escritor moderno declarou: "A Lutero deve a Alemanha seu esplendido sistema educacional - em suas origens e concepções. Porque ele foi o primeiro a reclamar uma educação universal, uma educação do povo todo, sem consideração de classe". Deixou à posteridade, em sua fecundidade literária, dezenas de volumes contendo obras doutrinárias, apologéticas, exegéticas, homiléticas, pastorais e pedagógicas. Funck-Brentano, célebre historiador contemporâneo assim se expressa: "Qualquer que seja o julgamento formulado em torno da doutrina religiosa de Martinho Lutero, é preciso reconhecer nele uma das mais poderosas personalidades que o mundo conheceu. Sua energia, seu valor, sua poderosa ação - que decorriam em grande parte da intensidade de suas convicções - estão acima de todo elogio. Calculou-se que seriam precisos a um homem dez anos de vida para simples cópia das cartas, orações e inumeráveis escritos do reformador, e Lutero não só redigiu suas obras, mas pensou-as, deu-lhes estudo e reflexões, corrigiu-as, e isso entre ocupações múltiplas, quase sempre absorventes e das mais diversas, suas prédicas, sua atividade social e política, os cuidados e o tempo que consagrou aos antigos e à família" (Martim Lutero, pág. 22, Ed Veccki). Dezenas de testemunhos dessa natureza poder-se-ia acrescentar à sua pessoa. Os exemplos citados, porém, exemplificam o veredito sobre sua pesso e a obra deixada até os nossos dias atesta a sua grandiosidade.
ROSA DE LUTERO
Símbolos são figuras que expressam verdades e convicções. Uma Cruz, um Coração, uma Rosa Messiânica, um Fundo Azul e um Anel Dourado formam o BRASÃO DE LUTERO.
O coração se apega a Cristo, centro da fé e da vida cristã. A fé se reflete em alegria, consolação, paz e esperança, aguardando a realização das promessas de felicidade sem fim, que ainda serão cumpridas.
A ROSA DE LUTERO tornou-se um símbolo visual da REFORMA e do LUTERANISMO.

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